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Coordenador nacional do PAD aponta o Ceará como modelo a ser seguido

“Ter o apoio, a compreensão institucional de que determinada tecnologia pode vir a contribuir para resolver um problema de saúde pública e melhorar a qualidade de vida das pessoas das comunidades mais carentes do interior é fundamental. E isso se encontrou aqui no Ceará”. Essa foi a justificativa apontada pelo coordenador nacional do Programa Água Doce (PAD), Renato Saraiva, para o bom desempenho do programa que leva água de qualidade até comunidades difusas, de baixo Índice de Desenvolvimento Humano e altos índices de mortalidade infantil. “Tanto que, das 450 obras entregues até o momento em todo o Nordeste, mais de 200 foram aqui no Ceará”, complementa.

O diagnóstico feito por Saraiva foi anunciado na manhã desta sexta-feira (7), durante o V Encontro Estadual do Programa Água Doce (PAD). O evento, que aconteceu no Espaço das Águas (auditório da Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos – Cogerh) reuniu, além dos técnicos do PAD, representantes de prefeituras e de comunidades beneficiadas programa.  Ainda segundo o coordenador do PAD, o programa tem por meta atender a 1.345 comunidades em todo o Nordeste, e mais a parte Norte de Minas, também incluída no chamado Polígono das Secas.

Para o secretário dos Recursos Hídricos do Ceará, Francisco Teixeira, o êxito do Água Doce é o envolvimento de vários entes: governos federal, estaduais e municipais, e as comunidades. “Eu diria que dentro desse diferencial de envolver vários atores, merece destaque o engajamento da comunidade, que acaba se apropriando dos equipamentos e garantindo a gestão e operação dos sistemas de dessalinização”. Teixeira defende que o PAD deixe de ser um programa e evolua para uma política pública. “Imagine que não tínhamos agentes de saúde no passado não muito distante, e os níveis de mortalidade infantil eram altíssimos. Foi a incorporação de uma política pública de saúde que fez esses índices regredirem”, cita.

Para Teixeira, transformado em política pública, a sociedade teria mais segurança de que o PAD não sofreria descontinuidade ao sabor dos humores dos governantes de plantão. Para o coordenador do PAD esse caminho já começa a ser trilhado. “A formalização, por decreto, do departamento que trata do acesso à água com foco em dessalinização foi o primeiro passo”, acredita. Para uma política precisamos definir a competência (que é definir o responsável pelo assunto); o orçamento (lei orçamentária, que já temos); os planos de execução (que todos os estados já têm); e a institucionalização dessa política nos estados (e cada estado já tem seu núcleo instituído por decreto). Eu diria que a gente está caminhando bem na direção da política pública”, avalia Saraiva.

O encontro também teve por objetivo apresentar o PAD aos novos prefeitos empossados no início deste ano. “A gente entende que, se a comunidade e o município se envolverem na operação dos sistemas, temos 70% de chance de bom funcionamento”, diz Saraiva. “Os outros 30% - que são a manutenção mais pesada e o monitoramento estão a cargo dos Estados, com apoio do Governo Federal”.  Cada sistema custa hoje cerca de R$ 256 mil. “Esse valor, diante dos benefícios em saúde pública e qualidade de vida, é mínimo”, avalia.

O Água Doce é uma ação estruturante para levar água de qualidade às populações mais carentes que residem em áreas isoladas das comunidades rurais dos municípios do sertão. O PAD soma-se às milhares de intervenções que o Governo do Ceará vem desenvolvendo – tanto em áreas rurais como em zonas urbanas -  para mitigar os efeitos da atual estiagem, que já é considerada a mais severa dos últimos 100 anos. Pelo convênio firmado com o Estado do Ceará, por meio da Secretaria de Recursos Hídricos do Estado do Ceará – SRH/CE o Programa Água Doce tem como meta a implantação, recuperação e gestão de 277 sistemas de dessalinização, o que beneficiará cerca de 100 mil pessoas.

LÍDERES COMUNITÁRIOS – Talvez o componente “Mobilização Social” seja o diferencial do Programa Água Doce. Antes da implantação dos sistemas, equipes da SRH visitam as comunidades, expondo detalhes do projeto e buscando conquistar as pessoas para o PAD. “No começo, todos foram para as reuniões. Era novidade, e todo mundo gosta de novidade. Mas todos ficamos com um pé atrás”, conta a professora e líder comunitária Antônia Amorim Batista, da comunidade de Olho D’água do Gado, em Itatira.

Segundo ela, em maio de 2014 a equipe da SRH chegou à comunidade para verificar o poço. “A gente tinha medo de não acontecer”, confessa. Antônia revela que, antes do PAD, a comunidade bebia água de uma cacimba de água salobra. “A minha filha tem problemas renais. Não posso afirmar que são decorrentes daquela água, mas... ela tem. E outras pessoas da comunidade também apresentam esse tipo de problema de rins”, revela. O Olho D’água tem 42 duas famílias. “Sou pequena assim, por que carreguei muita lata d’água na cabeça”, revela sorrindo. “Hoje, moradores de outras comunidades próximas vêm buscar água com a gente”, orgulha-se a gigante Antônia.

A comunidade de Sítio do Meio, em Pentecoste, encontrou no operador do equipamento do PAD, um apaixonado por tecnologia. “Acho que o sertão precisa de tecnologia para se desenvolver”, defende Francisco das Chagas Neto. Para ele, os equipamentos do Água Doce pouparam muitas léguas de caminhadas em busca de água. “Eu mesmo, que tenho apenas 33 anos caminhei muito na vida para buscar água nem sempre de qualidade”, revela. Hoje, a comunidade se apropriou do programa, garante Neto. “A gestão não é fácil, afinal somos pessoas simples, do campo”, admite.

Para Neto, a troca de experiências entre os gestores comunitários é fundamental para o sucesso do PAD. “É importante a gente ver e saber o que está acontecendo nas outras comunidades. Os problemas podem ser parecidos”, acredita. Segundo ele, as saídas de encontradas por uma comunidade pode ser adotadas por outras, desde que em situações parecidas.

 

O secretário adjunto da Secretaria dos Recursos Hídricos (SRH), Ramon Rodrigues, participou, em Brasília, da II Reunião para o Fortalecimento da Gestão dos Recursos Hídricos. O evento, promovido pela Agência Nacional de Águas (ANA), teve como principal objetivo apresentar a atuação da ANA junto aos órgãos gestores dos estados e do Distrito Federal e promover diálogo para firmar um protocolo de intenções entre a União, os estados e o Distrito Federal, visando à gestão compartilhada dos recursos hídricos no país. Também integrou a delegação da SRH no evento, o titular da Coordenadoria de Gestão dos Recursos Hídricos da SRH, Carlos Campelo.

Dentre os temas debatidos, destacam-se “A atuação da União e o futuro da gestão compartilhada dos recursos hídricos no Brasil”; “Balanço da atuação da ANA junto aos órgãos gestores de recursos hídricos e perspectivas”; e “Principais desafios e perspectivas para a gestão compartilhada dos recursos hídricos”.

Na abertura do evento, na noite do dia 28, a atuação da União e o futuro da gestão compartilhada dos recursos hídricos no Brasil foi o tema em pauta. Realizaram a abertura do encontro o diretor-presidente da ANA, Vicente Andreu; o secretário-executivo do Ministério do Meio Ambiente (MMA), Marcelo Cruz; o secretário de Recursos Hídricos e Qualidade Ambiental do MMA, Jair Tannus; e a subsecretária de Articulação Institucional da Secretaria de Estado do Ambiente do Rio de Janeiro, Eliane Barbosa.

 

SEGUNDO DIA - Para abrir as discussões do dia 29, o diretor da Área de Gestão da ANA, Paulo Varella, apresentou os principais resultados dos programas da Agência Nacional de Águas implementados junto às unidades da Federação, como o Programa Produtor de Água, o Programa de Consolidação do Pacto Nacional pela Gestão das Águas (PROGESTÃO), o Programa Nacional de Fortalecimento dos Comitês de Bacias Hidrográficas (PROCOMITÊS), o Programa de Estímulo à Divulgação de Dados de Qualidade de Água (QUALIÁGUA) e a instalação de salas de situação e plataformas de coleta de dados nos estados e do DF.

 

O diretor-presidente da ANA falou sobre os principais desafios e perspectivas para a gestão compartilhada dos recursos hídricos no País. Vicente Andreu também abordou pontos para que o setor de recursos hídricos atinja um protagonismo maior na agenda política regional e nacional.

 

Na 2ª Reunião para o Fortalecimento da Gestão dos Recursos Hídricos os representantes dos órgãos gestores de recursos hídricos dos estados e do Distrito Federal também tiveram a oportunidade de expor suas ideias para o desenvolvimento do setor e fazer um intercâmbio de experiências durante o evento. Ao final, aconteceu a assinatura do Protocolo de Intenções entre a ANA e os órgãos gestores para fortalecer a gestão compartilhada dos recursos hídricos no País e estabelecer compromissos coletivos executáveis de acordo com a realidade de cada região.

 

 

O Programa Água Doce (PAD) foi tema de debate na manhã desta quarta-feira, na Universidade de Fortaleza. Coube à supervisora do Núcleo de Águas Subterrâneas da Secretaria dos Recursos Hídricos do Ceará (SRH), Liduina Carvalho Costa, apresentar o PAD a uma plateia atenta, formada principalmente por professores, servidores e estudantes da Unifor. O evento integrou a grade de programação da II Semana da Água da Unifor, que este ano abordou o tema Águas Residuárias.

Com a semana da água, a universidade objetiva proporcionar a inserção e ampliação do conhecimento hídrico na comunidade acadêmica e público em geral, por meio da abordagem da situação hídrica regional e nacional. Os debates também buscaram promover maior proximidade e interação de pesquisadores, universitários e instituições municipais, estaduais e federais que atuam na área de recursos hídricos. 

O ÁGUA DOCE - O Programa Água Doce (PAD) é uma ação do Governo Federal, coordenada pelo Ministério do Meio Ambiente em parceria com diversas instituições federais, estaduais, municipais e sociedade civil que visa a estabelecer uma política pública permanente de acesso à água de qualidade para o consumo humano, incorporando cuidados técnicos, ambientais e sociais na implantação, recuperação e gestão de sistemas de dessalinização de águas salobras e salinas. No Ceará, o PAD é desenvolvido em parceria com a Secretaria dos Recursos Hídricos (SRH).

A partir de 2011, o Programa Água Doce assumiu a meta de aplicar sua metodologia na recuperação, implantação e gestão de 1.200 sistemas de dessalinização até 2018, com investimentos de cerca de R$ 255 milhões beneficiando, aproximadamente, 500 mil pessoas em todo o Semiárido. Para o atingimento desta meta foram firmados 10 convênios com os estados de Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Minas Gerais, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Sergipe e Rio Grande do Norte.

Foi com Asa Branca (Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira) como música de fundo, que servidores da Secretaria dos Recursos Hídricos e das vinculadas - Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme), Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos (Cogerh) e Superintendência de Obras Hidráulicas (Sohidra) iniciaram a celebração, na manhã desta quarta-feira (22/03), do Dia Mundial da Água. O evento, que aconteceu no auditório da Secretaria de Infraestrutura (Seinfra), contou com palestra sobre Reúso de Água, sorteio de brindes, e homenagem à recém-falecida antropóloga Rosiane Limaverde, fundadora da Fundação Casa Grande (Nova Olinda). Rosiane era responsável pelos levantamentos antropológicos do Cinturão das Águas do Ceará (CAC).
 
O secretário Francisco Teixeira destacou a importância da data mundial e ressaltou o trabalho dos servidores do Sistema Hídrico e de instituições parceiras como Cagece, Saaes, Sisar e órgãos ambientais. O Ceará tem toda uma história associada à escassez hídrica e uma política de recursos hídricos que ganha cada vez notoriedade da sociedade e fora do Estado também.  Para nós cearenses é sempre bom comemorar essa data para lembrar que temos o arcabouço institucional melhor consolidado e o mais antigo do Brasil. Nossos servidores têm sido de uma abnegação inconteste no momento em que atravessamos uma estiagem das mais extremas". ressaltou. Para ele, esse empenho deverá se estender ainda, "Pois estamos vivenciando o fim da seca meteorológica, mas os cuidados com a economia de água precisam continuar".
 
O presidente da Cogerh, João Lúcio Farias, lembrou as palavras do frade franciscano Leonardo Boff, para que “a água deve ser cuidada”. “Essa data deverá servir para que nos lembremos disso: cuidar das águas e também das plantas”, disse. Para ele, trata-se de um dia muito importante para vida, para sociedade como um todo, “sobretudo para nós que vivemos no semiárido”.
 
Durante a solenidade,  a plateia não conteve a emoção após a apresentação da pequena Cecília do Acordeon, de apenas nove anos. Além do clássico Asa Branca, executou o Xote Ecológico e a Morte do Vaqueiro – também do repertório de Luiz Gonzaga, e músicas autorais. Cecília é de Aracoiaba, e seu pai é membro do Comitê da Bacia Metropolitana. Coube a ela, com encanto, abrir a solenidade.
 
HOMENAGEM –
Responsável pelo componente arqueológico do Cinturão das Águas do Ceará (CAC), a antropóloga Rosiane Limaverde, falecida na última segunda-feira, foi homenageada com um minuto de silêncio proposto por Luiz Carlos Rocha Mota, titular da Célula de Controle Sócio-Ambiental da SRH. Ele destacou que mesmo nos cinco anos em que lutou contra um câncer, Rosiane manteve-se firme á frente do trabalho no CAC.
DIA DA ÁGUA
- Celebrado no dia 22 de março, o Dia Mundial da Água foi instituído em 1993 pela Organização das Nações Unidas (ONU) durante a Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento – ECO-92. Desde então, as celebrações ao redor do mundo acontecem a partir de um tema anual, definido pela própria ONU com objetivo de abordar os problemas relacionados aos recursos hídricos.
 
 

Ao desenvolver e implementar o novo sistema de dessalinização, será gerado 1m³ por segundo de água dessalinizada para a rede de abastecimento da Capital


O governador Camilo Santana lançou, nesta segunda-feira (13), em evento na sede da Companhia de Água e Esgoto do Ceará (Cagece), o edital de solicitação de manifestação de interesse para elaboração dos estudos de uma planta de dessalinização de água marinha na Região Metropolitana de Fortaleza. As empresas interessadas na parceria devem preparar e apresentar suas propostas no prazo máximo de até dois meses após a data da publicação oficial do edital, que será realizada na próxima terça-feira (14), no Diário Oficial do Estado.

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Com o desenvolvimento e implementação do novo sistema de dessalinização, será gerado 1m³ por segundo de água dessalinizada para a rede de abastecimento da Capital. De acordo com o documento de seleção, as etapas até a operação da obra são: análise das propostas pelo período de um mês, realização dos estudos pela empresa no prazo de 150 dias, e depois três anos no processo de estabelecimento da relação público-privada, projetos, construção e comissionamento da dessalinização. O contrato a ser firmado entre Estado e pessoa jurídica será de 23 anos. Serão avaliados pontos como viabilidade econômica, demanda, localização, custos e modo de operação.

WEB MVS1988O governador Camilo Santana destaca que a intenção do lançamento deste edital é atrair propostas e estudos para que se chegue da melhor forma ao objetivo da planta de dessalinização para a Região Metropolitana de Fortaleza. Ele revelou que, antes mesmo do lançamento da seleção, já surgiram empresas nacionais e internacionais interessadas na elaboração do projeto.

"A planta envolve a geração de 1m³ por segundo, o que representa algo em torno de 12 a 15% do consumo de Fortaleza. É muita coisa. E a ideia é que isso seja modular, ou seja, fazermos essa primeira unidade e, ao longo do tempo, outras serem instaladas. Vamos trabalhar para buscar alternativas em médio e longo prazo para que o Estado possa ter outras fontes de água para o consumo humano. As empresas fazem o estudo, o Estado vai analisar, escolher a melhor proposta e, depois, com a nova licitação e a empresa fará a construção e operação, com financiamento privado. A participação do Estado será garantir a compra da água", explica o chefe do Executivo.

WEB MVS1873Participaram do evento o prefeito de Fortaleza, Roberto Cláudio, o presidente da Cagece, Neuri Freitas, o secretário das Cidades, Jesualdo Farias, o presidente da Federação das Indústrias do Estado do Ceará, Beto Studart, os deputados federais Danilo Forte, Leônidas Cristino, Macedo e Paulo Henrique Lustosa, os deputados estaduais Carlos Matos e Walter Cavalcante, o vereador Benigno Júnior, dentre outras lideranças políticas e representantes do empresariado cearense.

O presidente da Cagece, Neuri Freitas, enfatiza que os projetos deverão trazer o roteiro completo de como a obra deverá ser executada pela empresa a ser contratada futuramente pelo Governo do Ceará. Segundo o dirigente, há cuidados técnicos e pesquisas que precisam ser traçados de modo preciso para que a dessalinização ocorra com sucesso. "A planta tem que ser instalada e ser pensada para se interligar na planta atual da Cagece. Então, vai ter que se buscar o melhor ponto de injetamento, de reservação, pois essa água dessalinizada vai se misturar com a outra água", exemplifica.

Prefeito da Capital, Roberto Cláudio avalia que é de fundamental importância o pensamento de novas formas de garantir o abastecimento de Fortaleza e municípios da RMF. Em entrevista, ele lembrou das ações do governador Camilo Santana feitas em curto período dentro da região, que foram responsáveis para garantir água à população e evitar a necessidade de racionamento em meio à crise hídrica vivida pelo Ceará.

"Só a Região Metropolitana concentra mais de 40% da população do Estado do Ceará. Essa é a população que mais demanda água. Na perspectiva do futuro, essa planta de dessalinização garantirá uma oferta muito mais estável, programada e segura para esse crescimento da cidade. É uma iniciativa moderna e criativa", argumenta Roberto Cláudio.

Representante da Indústria, o presidente da Fiec, Beto Studart, afirma que esta é mais uma ação do Governo do Ceará que ajudará a fomentar o crescimento econômico do Estado, atraindo investidores e idealizadores de novos projetos. "O governador dá um passo muito importante junto à Cagece. A água é um serviço fundamental tanto para as pessoas quanto para o desenvolvimento da economia", diz.


13.03.2017

André Victor Rodrigues
Repórter / Célula de reportagem

Fotos: Marcos Studart / Governo do Ceará

A obra compõe o Aproveitamento do Aquífero do Pecém foi desenvolvida pela Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos do Ceará (Cogerh) e custou aos cofres públicos o valor total de R$ 6.516.499,04

 

170125 POCOS PECEM CG8280 webA Região Metropolitana de Fortaleza recebeu mais uma obra do Plano de Segurança Hídrica do Estado do Ceará. Nesta quarta-feira (25), no Pecém, o governador Camilo Santana inaugurou a  bateria de poços, adutoras e estações de bombeamento, que permitirão o melhor aproveitamento das águas do Sistema Metropolitano. Com 38 poços que garantirão aproximadamente 200 litros por segundo, a intervenção reduz o envio de água para a região do Complexo Industrial Portuário do Pecém (CIPP) e reforça a garantia hídrica para localidades da RMF.

 MVS0018 webA obra compõe o Aproveitamento do Aquífero do Pecém foi desenvolvida pela Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos do Ceará (Cogerh) e custou aos cofres públicos o valor total de R$ 6.516.499,04. A água do sistema reforçará o abastecimento do município de São Gonçalo do Amarante e distritos próximos.

Durante a solenidade de inauguração, realizada às margens das novas estações de bombeamento, Camilo Santana enfatizou o empenho do Governo do  MVS0160 webCeará, utilizando de recursos  próprios, para assegurar que não falte água na casa dos cearenses.

"A ideia é que a gente possa diminuir o consumo que vem do Castanhão aqui para a região do Complexo Portuário do Pecém. Essa ação de hoje representa mais ou menos entre 20% e 30% do consumo do complexo, por isso é muito importante. A prioridade do Estado é a garantia do abastecimento humano da população cearense. Vamos ter sempre desafios e problemas a serem enfrentados. Mas estamos sempre monitorando, com toda a equipe e apoio do Governo do Estado para encontrar alternativas", disse o governador.

170125 POCOS PECEM CG8215 webA intervenção no Pecém foi possível após estudos desenvolvidos pela Cogerh, avaliando o potencial hídrico da região. As pesquisas apontaram para considerável reserva de água no subsolo, com possibilidade de recargas diretas e anuais. Essa recarga é possível devido principalmente a dois fatores: o tipo de solo (arenoso e preservado) da região e às médias de chuvas no litoral, que mesmo em anos ruins, costumam atingir ou até superar as do Estado. Cogerh e Sohidra já realizam testes na região da Taíba/Siupé para ampliar os recursos hídricos.

Nos 38 poços, a água é reunida em duas Estações de Bombeamento (EB). Dessas EBs, são aduzidas ao Reservatório Apoiado do Pecém (RAP), de onde seguem para alimentar os consumidores finais.

Hoje, de acordo com estudo da Cogerh, no Ceará, 67,29% das águas são utilizadas para o abastecimento humano e 7,02% são dedicados ao setor industrial. O restante se divide em irrigação (20,8%), carcinicultura (3,84%), piscicultura (0,36%) e demais usos (0,69%).

"Essa intervenção é algo inovador no Brasil. Estamos integrando as águas superficiais. Alguns países já fazem isso e acredito que o Ceará está sendo inovador nesta ação. A obra vai aliviar o sistema do Pacoti, Riachão e Gavião, assim como o Castanhão, por isso é fundamental. É uma obra estruturante para a Região Metropolitana e parte importante do compromisso assumido pelo governador Camilo Santana com o Plano de Segurança Hídrica", expôs o presidente da Cogerh, João Lúcio de Farias.


Sobre o Plano

Elaborado em 2015, o Plano de Segurança Hídrica do Governo do Ceará reúne ações, em parceria com a Cagece, Cogerh e Superintendência de Obras Hidráulicas (Sohidra), com apoio da Secretaria de Recursos Hídricos (SRH) e Secretaria das Cidades (SCidades), que têm como objetivo reduzir em 20% o consumo de água, com investimentos previstos em R$ 72,1 milhões.

As ações são: o reforço no combate às perdas de água (fraudes e vazamentos); a perfuração de novos poços e manutenção dos já existentes em áreas críticas de abastecimento e em equipamentos públicos (saúde, educação e segurança); a perfuração de poços no Pecém; o aproveitamento do sistema hídrico do Cauípe; o aproveitamento do açude Maranguapinho; o reúso das águas de lavagem dos filtros da Estação de Tratamento de Água do Gavião; a captação pressurizada de água no açude Gavião; o reforço no abastecimento de Aquiraz com implantação de adutora de água tratada; a revisão da meta da Tarifa de Contingência (aumento da meta de economia de água pela população de 10% para 20%); a redução da oferta de água em 20% para indústrias da Região Metropolitana de Fortaleza (RMF); e o plano de Comunicação.

"Desde que assumimos o Governo em 2015, criamos um grupo permanente para monitorar e avaliar a situação hídrica do Ceará. Já vínhamos há praticamente três anos de seca e fizemos um plano emergencial de médio a longo prazo, com a grande preocupação de conviver com a seca. Sei que é um fenômeno natural, não vai acabar, que vamos sempre ter que sempre aprender a lidar com ela. Com criatividade, tecnologia, pesquisa e inovação, nós vamos em busca de encontrar as melhores soluções", detalhou Camilo Santana.


Desenvolvimento em meio à seca

R MVS0157O evento no Pecém reuniu representantes de secretários, prefeitos, gestores de Cagece, Cogerh e Sohidra, além de empresários envolvidos no apoio às obras. Em pronunciamento, o presidente da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (FIEC), Beto Studart, ressaltou o trabalho de articulação do Governo do Ceará ao reunir todas as partes para o processo de busca por alternativas que possibilitem a segurança hídrica no Estado.

"O cearense amadureceu e despertou-se para esse ambiente de superar e encontrar soluções. A gente vislumbrava há cinco anos toda essa situação difícil, e de repente governo, iniciativa privada, cientistas, todos começaram a desenhar planos. Chegamos no final da temporada perversa para o Ceará e nem por isso deixamos de crescer. Então eu vejo que o período de seca despertou o surgimento de novas tecnologias que estão e vão ficar para as outras gerações", afirmou.

Para o secretário dos Recursos Hídricos do Ceará, Francisco Teixeira, o legado deixado na atual gestão é o de evitar o sofrimento da população no período sem chuvas. Com estudos, pesquisas e ação em obras, segundo ele, os frutos serão colhidos nos próximos anos com um Estado semiárido capaz de administrar com competência as consequências da situação climática.

"Isso foi fruto de um trabalho técnico de equipes de vários órgãos. Secretaria, Cagece, Sohidra, que construiu os poços, Cogerh, responsável pelos estudos geofísicos, e a parte de engenharia especial. Todos fizeram o possível para que hoje tenhamos a garantia dos 200 litros por segundo, que não é algo trivial. Eu diria que, a continuar da forma que estamos trabalhando, tendo em vista que a seca meteorológica passe esse ano, temos que continuar neste estado de atenção e de alerta para evoluir no desenvolvimento de fontes alternativas", disse Teixeira. 


25.01.2017

André Victor Rodrigues
Repórter / Célula de Reportagem

Fotos: Marcos Studart / Governo do Ceará

Novos conselheiros comporão o colegiado durante o biênio 2017/1019

 

A Comissão Eleitoral que conduz o processo de seleção de novos conselheiros titulares e suplentes do Conselho de Recursos Hídricos do Ceará – CONERH, publicou comunicado no qual ratifica a relação de instituições selecionadas paro compor a entidade no biênio 2017/1019. O Comunicado saiu após decisão do presidente do Conselho, Francisco Teixeira, apontar como improcedente o recurso apresentado por um dos candidatos quando da eleição. A posse das novas entidadesacontece na próxima reunião ordinária do Conerh, dia 21/02, no auditório da Companhia de Gestão dos recursos Hídricos (Cogerh).

No despacho em que indeferiu o pleito, o presidente do Conselho, Francisco Teixeira, argumenta que a UECE (entidade que havia impetrado recurso) não apresentou razões nem juntou novos documentos que comprovassem a interposição de seu recurso no prazo legal. 

O Conerh é composto por 20 conselheiros distribuídos entre representantes de secretarias e demais instituições estaduais com atuação na gestão ou no uso dos recursos hídricos, comitês de bacias hidrográficas, instituições públicas federais com atuação em recursos hídricos, organizações civis de recursos hídricos, entidade que congrega os municípios, instituições de ensino superior com atuação em recursos hídricos e entidades dos usuários de recursos hídricos.

 Confira a seguir a decisão do Presidente do Conerh bem como o comunicado da Comissão Eleitoral:

 

A probabilidade é de 40% para os meses de  fevereiro, março e abril. O cenário aponta continuidade nas ações de segurança hídrica

 
Em evento realizado no auditório do Palácio da Abolição, nesta quarta-feira (18), o Governo do Ceará divulgou, por meio da Fundação Cearense de Meteorologia (Funceme), órgão vinculado à Secretaria de Recursos Hídricos (SRH), o prognóstico para a quadra chuvosa de 2017. Depois de cinco anos de seca, a probabilidade de chuvas dentro da média histórica é de 40% para os meses de  fevereiro, março e abril. O cenário inspira cuidados e continuidade nas ações de segurança hídrica.

 

Apresentado pelo presidente da Funceme, Eduardo Sávio Martins, o prognóstico trouxe as probabilidades de cada uma das três categorias (abaixo, em torno e acima da média histórica) referentes ao acumulado de precipitações dos próximos meses. No Ceará, há 30% de probabilidade para a categoria abaixo da média, 40% para a categoria em torno da média e 30% para a categoria acima da média.

Com relação aos setores do Estado, no noroeste a probabilidade para a categoria abaixo da média é de 25%, para a categoria em torno da média é de 35% e para a categoria acima da média é de 40%. Já no sudeste as probabilidades apontam 35% para a categoria abaixo da média, 40% para a categoria em torno da média e 25% para a categoria acima da média.

R MVS9577Eduardo Sávio explicou que haverá uma ligeira tendência de chuvas acima da média para o setor noroeste do Estado do Ceará e, para o setor sudeste, uma tendência de chuvas em torno da média. "O setor sudeste é o que mais nos preocupa por conta do aporte de água dos reservatórios mais estratégicos do Estado. Em anos normais, que é a categoria mais provável, nós temos 50% de chances de ter escoamento significativo nos reservatórios. Então significa que teremos aí cerca de 55% de probabilidade, com base na previsão, de nós não termos escoamentos significativos para reservatórios como o Castanhão, Orós, etc", observou.

O presidente da Funceme salientou ainda que, para o segundo semestre de 2017, se tem um indício que coloca uma preocupação para 2018 de aumento das probabilidades de surgimento do El Niño. "É uma preocupação forte para termos mais cuidado com a água neste momento de crise no Ceará. Por isso, nós temos que ter cuidado no uso da água. O nosso trabalho a partir de hoje é exatamente colocar o cenário de previsão não só de chuva, mas de vazão que nós já rodamos para a Companhia de Gestão de Recursos Hídricos, para fazer cenários de alocação. A partir daí, os impactos previstos vão ser analisados e as medidas serão tomadas para o horizonte deste ano".

No mês de fevereiro, a Funceme vai elaborar e divulgar um novo prognóstico meteorológico sobre a quadra chuvosa, em referência aos meses de março, abril e maio deste ano.


Preparação diante das previsões

R MVS9527Presente na solenidade, o secretário Chefe do Gabinete do Governador, Élcio Batista, ressaltou o empenho da atual gestão estadual para evitar que a crise hídrica se alastre e atinja o cotidiano da população cearense. Élcio lembrou do planejamento traçado pelo governador Camilo Santana desde 2015, colocando como prioritárias as ações de segurança hídrica, como também o trabalho incessante de órgãos como Companhia de Água e Esgoto do Ceará (Cagece), Companhia de Água e Esgoto do Ceará (Cogerh), Superintendência de Obras Hidráulicas (Sohidra), Funceme e Defesa Civil.

"O quinto ano de seca traz um impacto social muito grande. E nisso vale destacar o trabalho do Governo do Ceará, com apoio do governo federal, junto a uma rede de política de proteção social, que tem garantido que aquelas imagens que a gente via no passado a gente não veja se repetir mesmo no quinto ano seguido de seca. Não temos as pessoas desesperadas migrando para Fortaleza em busca de alimentos, justamente porque os programas do governo federal relacionados a esse sistema de proteção social tem sido muito eficientes em parceria com o governo estadual", disse o secretário, citando o Programa Garantia Safra, Bolsa Família, Programa Nacional de Agricultura Familiar, assim como um conjunto de políticas públicas para administração dos anos de seca.

Élcio Batista lembrou que, apenas em 2016, o governo Camilo Santana investiu mais de R$ 400 milhões em ações relacionadas à segurança hídrica, mesmo dentro de um cenário de crise econômica enfrentado por todo o país, citando o Plano Estadual de Convivência com a Seca - elaborado em 2015 por Camilo Santana e sua equipe - como fundamental para o enfrentamento das questões climáticas e da falta de água no Estado, destacando a importância das ações emergenciais e estruturantes dentro das perspectivas a curto, médio e longo prazos no Ceará. Outro destaque é o Plano de Segurança Hídrica para a Região Metropolitana de Fortaleza, a perfuração de poços no Pécem, inauguração de Estação de Tratamento de Água (última realizada no Açúde do Gavião), o programa de adutoras, a Tarifa de Contigência implementada no Ceará e o trabalho de monitoramento da Cagece contra o mal uso da água no Estado.

"O Ceará só está conseguindo enfrentar esse quinto ano de seca, quando muitas pessoas nem percebem, porque quando abrem a torneira a água está chegando lá do mesmo jeito que chegava antes, justamente pelo trabalho que se iniciou no final da década de 1980 na constituição do Sistema de Recursos Hídricos. Estamos vendo o quanto ele foi importante, com obras estruturantes, obras de médio prazo, de longo alcance, mas que estão dando conta e funcionando. Se não tivéssemos o Eixão das Águas, talvez hoje Fortaleza estivesse vivendo um período que nem sei dizer como estaríamos enfrentando. O Governo do Estado está fazendo uma obra estruturante super importante, que é o Cinturão das Águas. Uma obra para dar frutos daqui a quatro, cinco anos, mas quando ela se concretizar aí que a gente vai entender a importância real para o Ceará", disse.

R MVS9537Em 2016, lembrou Élcio, Camilo Santana instituiu no gabinete um grupo de contingência e de tomada de decisão, que se reúne semanalmente - uma vez por mês com o governador - para tomadas de decisões acompanhamento de todos os 184 municípios do Estado do Ceará, sob coordenação do próprio secretário, mas com a presença de todos os representantes do setor de recursos hídricos do Estado. "Se hoje não temos nenhum município em colapso absoluto de água, é graças a esse trabalho que tem sido feito. Um trabalho que reúne milhares de trabalhadores, servidores públicos que vêm se empenhando de forma fundamental", finalizou.


Gestão hídrica

R MVS9503O secretário de Recursos Hídricos do Estado do Ceará, Francisco Teixeira, afirmou, durante o evento de apresentação do prognóstico, que o estabelecimento de ações emergenciais e estruturantes deve continuar independente das previsões, visto que não há garantias de que haverá melhoras significativas dentro do quadro de seca apresentado no Estado há cinco anos.

"Nós temos nos preocupado, desde quando o governador Camilo Santana assumiu o governo, em estabelecer ações emergenciais no caráter da celeridade para implantação, mas que fossem ações estruturantes. Vamos continuar com a implementação de ações tanto de gestão da oferta e da demanda, como de ampliação da infraestrutura hídrica para buscar novas fontes, e é lógico, acelerar essas ações. O Governo do Estado tem feito todos os esforços para viabilizar essas ações", disse.

R MVS9508Teixeira expôs que é importante chamar a atenção de todas as instâncias no Estado para o estado de emergência na gestão de recursos hídricos dos municípios cearenses, como também facilitar os processos administrativos para desenvolver cada vez mais melhores ações e assegurar economia de água e consumo mais inteligente pela população. "São situações essenciais para se conviver com essa seca", afirmou.

Sobre a probabilidade de se ter um El Niño no próximo ano, o titular da pasta dos Recursos Hídricos afirmou que é preciso, ocorrendo ou não o fenômeno em 2018, haver um aprofundamento no desenvolvimento de mecanismos adequados para garantir a segurança das fontes de água em todo o Estado. Teixeira lembrou que hoje, na Região Metropolitana de Fortaleza, está sendo economizado algo próximo a 2m³ por segundo, sem precisar de racionamento clássico, apenas com ações voltadas ao Plano Estadual de Convivência com a Seca.

O secretário afirmou que no final do mês será estudado junto à Funceme novas alternativas, depois da concretização de novo prognóstico sobre a quadra chuvosa. A exploração de mais águas subterrâneas, adutoras, poços, dentre outras alternativas, devem ser amadurecidas, segundo ele.  "O Castanhão está numa região de probabilidade de ter chuva abaixo da média. Em compensação, o Maciço de Baturité, que é uma área fundamental e que abastece a Região Metropolitana, está ali na interface entre as duas áreas. Podemos ter um bom aporte na RMF. Assim como o Orós, que está na bacia do Jaguaribe, pode ter um aporte mais representativo do que o Castanhão, e o Banabuiú também. Então, o prognóstico da Funceme é algo que temos de aprofundar melhor, cruzar com os dados das nossas bacias hidrográficas e dos nossos reservatórios", exemplificou o secretário.

18.01.2017

André Victor Rodrigues
Repórter / Célula de Reportagem

Fotos: Marcos Studart / Governo do Ceará

A obra possibilita a utilização de cerca de 25 milhões de metros cúbicos de água, aumentando a garantia hídrica pelos próximos seis meses, se não chover. O reaproveitamento do material utilizado na obra rendeu economia de mais de R$ 7 milhões e atendeu uma demanda emergencial

r MVS8609O céu nublado nesta quinta-feira (29) foi o cenário da inauguração do Sistema de Integração do Açude Pacajus ao Eixão das Águas. A obra possibilita um maior e mais eficiente aproveitamento das águas do reservatório, contribuindo para o incremento da segurança hídrica em Fortaleza e Região Metropolitana. "Essa é uma das obras mais importantes para reforçar o abastecimento na Região Metropolitana de Fortaleza. Nós estamos fazendo todos os esforços necessários. Temos 25 milhões de metros cúbicos no Açude Pacajus que vão reforçar o abastecimento pelos próximos seis meses. Ações como essa também nos garantem uma situação de segurança hídrica, caso se prolongue mais o quadro de estiagem. As equipes da Cogerh e da SRH conseguiram economizar mais de R$ 7 milhões e nos entregaram uma obra que vai atender uma demanda emergencial", disse o governador Camilo Santana, que presidiu a solenidade.

R MVS8573Ao custo de R$ 2.153.545,12, a intervenção possibilita a captação da reserva estratégica do manancial. Atualmente, o Açude Pacajus tem 25 milhões de metros cúbicos, aproximadamente, que passam a se integrar ao macrossistema que abastece a RMF. Pensada pelo Grupo de Contingência, formado por técnicos da Secretaria dos Recursos Hídricos (SRH), Companhia Estadual de Gestão dos Recursos Hídricos (Cogerh), Superintendência de Obras Hidráulicas (Sohidra), Companhia de Água e Esgoto do Ceará (Cagece), Defesa Civil Estadual e o próprio Gabinete do Governador, a obra é uma medida adicional às anunciadas no Plano de Segurança Hídrica da Região Metropolitana de Fortaleza.

r MVS8605"O Pacajus está ligado ao Açude Pacoti pelo canal do Ererê, que parou de funcionar por causa do baixo nível do reservatório. Este novo sistema consegue aproveitar ainda os 25 milhões de metros cúbicos que ainda restam no Pacajus para abastecer a Região Metropolitana por pelo menos seis meses, caso não chova. Este é um açude com capacidade de 250 milhões de metros cúbicos de água", afirmou o secretário dos Recursos Hídricos, Francisco Teixeira. A nova interligação aumentará também a eficiência do sistema, já que antes eram necessários dois bombeamentos para a água chegar ao Açude Pacoti.

r MVS8594O conjunto de ações para promover a segurança hídrica de Fortaleza e Região Metropolitana já está fazendo diferença na casa do agricultor, Josimar da Silva Pereira. "Até hoje, mesmo sem chuva não faltou água na minha casa. Temos água para beber, cozinhar e até para aguar um coqueirinho que tem lá em casa".  A expressão no rosto de Josimar não escondia a esperança de um 2017 chuvoso para o agricultor. "Quando chove em dezembro, a gente fica otimista de que vai chover em janeiro. Pelo menos eu acredito", afirma.

Esperança que o governador Camilo Santana também alimenta. "A previsão oficial da Funceme deve sair na segunda quinzena de janeiro. Tomamos todas as medidas e providências para garantir água para a produção e o abastecimento humano, mas eu tenho fé em Deus que um bom inverno vem para banhar o nosso Ceará", reforça.

Compareceram à solenidade o prefeito de Pacajus, Marcos Paixão e o prefeito eleito do município, Franklin Chaves, o secretários Francisco Teixeira (Recursos Hídricos) e Nelson Martins (das Relações Institucionais), João Lúcio Farias (presidente da Cogerh), o ex-prefeito de Pacajus, José Wilson Chaves, além de vereadores e lideranças políticas do município. 


Sobre a obra

R MVS8597Constituída de um Canal de Aproximação de cerca de 350 metros, uma Estação de Bombeamento com quatro bombas (capacidade de aduzir 0,5 metro cúbico por segundo cada); e uma adutora de 800mm de diâmetro e 280 metros de extensão, a intervenção tem caráter duplo: emergencial e estruturante. Emergencial por aproveitar todo o potencial do reservatório em pleno momento de seca extrema e estruturante por substituir o antigo sistema, com maior eficiência. A partir do acionamento do sistema, as águas são bombeadas para o Eixão das Águas, chegando ao Açude Pacoti, que integra o Macrossistema de Abastecimento de Fortaleza e Região Metropolitana.

29.12.2016

Lúcio Filho
Gestor de Célula / Rádio

Fotos: Marcos Studart / Governo do Ceará

O objetivo é evitar o desabastecimento de água caso haja agravamento da crise hídrica e não se mantenha o nível de reservação das águas do Gavião

161226 ETA GAVIAO MG 0153 webO Governo do Ceará inaugurou, na manhã desta segunda-feira (26), o Sistema de Captação Pressurizada do Açude Gavião, em Pacatuba. Executada pela Companhia de Água e Esgoto do Ceará (Cagece), a obra objetiva evitar o desabastecimento de água caso haja agravamento da crise hídrica e não se mantenha o nível de reservação das águas do Gavião. A nova estrutura foi concluída no prazo de 50 dias e contou com investimento de R$ 6,8 milhões provenientes da Tarifa de Contingência aplicada pela Cagece.  

161226 ETA GAVIAO JW3258 webO governador Camilo Santana destacou a relevância e urgência de ações do Governo do Ceará na Região Metropolitana de Fortaleza, ressaltando a questão hídrica como grande preocupação da atual gestão para os próximos anos. "Essa é mais uma ação que faz parte do plano em relação ao problema da água na Região Metropolitana. Já fizemos o reúso de água, bateria de poços no Pecém, adutora do Maranguapinho, e nos próximos dias vamos inaugurar o reúso da água do Pacajus. Aqui, estamos fazendo a pressurização do bombeamento da água do Gavião, exatamente porque se tivermos problema de rebaixamento da cota do açude a gente vai acionar as bombas flutuantes e garantir o abastecimento para a cidade de Fortaleza e toda a Região Metropolitana. Nós investimos quase R$ 7 milhões neste equipamento. É mais uma obra que reforça a nossa segurança hídrica", disse.

161226 ETA GAVIAO MG 0399 webA nova estrutura na Estação de Tratamento de Água (ETA) do Gavião faz parte do Plano de Segurança Hídrica da Região Metropolitana de Fortaleza, conjunto de medidas apresentados pelo Estado no dia 26 julho que buscam a redução em 20% do consumo de água até a próxima quadra chuvosa. As ações deverão ser executadas pelo Governo do Ceará de forma emergencial até março de 2017. Com investimentos orçados em R$ 64,1 milhões, o plano prevê contrapartida de setores da sociedade, caminhando conjuntamente com a conscientização da população para o uso responsável e sem desperdício da água.

161226 ETA GAVIAO JW3307 web"Há alguns meses, inauguramos algo inovador que foi o reúso da água de lavagem dos filtros aqui da ETA Gavião. Com isso estamos economizando 300 litros por segundo, o que equivale a mais do que abastecer a cidade de Sobral. Recentemente também inauguramos uma adutora no Maranguape, tirando água do Maranguapinho. Hoje, a água que ia daqui da ETA Gavião para Maranguape não precisa mais ir porque está sendo abastecido com o Rio Maranguapinho, exatamente para preservar a água de Fortaleza e Região Metropolitana. Agora no início de janeiro vamos inaugurar a bateria de 42 poços no Pecém, que vai exatamente abastecer toda a siderúrgica e evitar que a água do Castanhão vá para o Complexo Portuário do Pecém. Vamos usar a água do Cauípe também para abastecer o local, diminuindo o uso da água aqui do Gavião. Todo o Pacoti foi recuperado. Estamos jogando 10m³ por segundo no bombeamento do Gavião. E ainda vamos usar toda a água do Pacajus, lá tem quase 30 milhões de m³. Se precisar vamos secar o Pacajus para que não falte água em Fortaleza e na Região Metropolitana", comentou Camilo Santana.      


Mais alternativas

161226 ETA GAVIAO MG 0577 webO Sistema de Captação Pressurizada do Açude Gavião não vem para criar "água nova", como explica o secretário dos Recursos Hídricos do Ceará, Francisco Teixeira. Segundo ele, o sistema é uma estação flutuante de segurança para impedir que a vazão de abastecimento de Fortaleza diminua. A ETA do Gavião, portanto, garante a manutenção do nível de atendimento à população independentemente de questões como economia de água, problemas operacionais ou de acirramento da seca. "Podemos garantir um nível estático e a vazão de 7m³ de água por segundo para Fortaleza através da ETA Gavião. Por isso essa estação é muito importante. Qualquer rebaixamento do açude ela permite manter o mesmo ritmo de atendimento", esclareceu o secretário.

161226 ETA GAVIAO MG 0668 webSegundo o titular da pasta, a crise hídrica fez com que o Estado se empenhasse na busca pelo aumento de alternativas de sistemas, estruturas e planos para que não falte água. "Nós temos buscado diversificar as fontes hídricas. Trazer água não só do Orós e do Castanhão para manter minimamente os níveis dos açudes da RMF, Pacoti, Riachão, Gavião, sobretudo o Gavião, que tem um nível estático mínimo. Também buscamos poços. Em janeiro o governador deverá acionar a bateria de poços do Pecém, para injetar mais 200 litros por segundo no sistema metropolitano, Maranguapinho já foi acionado, foram mais 200 litros, a reciclagem da água de lavagem dos filtros da ETA Gavião e da Cagece já está funcionando com 300 litros por segundo. Estamos obtendo mil litros por segundo de águas alternativas, usando novas formas de obter água", exemplificou o secretário.

O presidente da Cagece, Neuri Freitas, lembrou que o sistema aplicado no açude Gavião é comum em outros municípios do Ceará, e comemorou o fato de a ETA estar dispondo deste mecanismo de prevenção à falta de água.  "Esse tipo de procedimento é normal no Interior, pois sempre tem bombeamento de açude até a estação de tratamento. Aqui no Gavião era diferente, porque a água ia para estação de tratamento por gravidade. Com essa obra concluída, nós temos a opção de, no caso de uma necessidade, acionar. A esperança é que isso não aconteça. Que continuemos tendo bom nível no açude e que continue captando por gravidade. Entretanto, qualquer dificuldade que venhamos a ter futuramente, poderemos acionar e manter o abastecimento de água", pontuou.


Consumo de água em Fortaleza e RMF

Na última quarta-feira (21), a Cagece e a Secretaria de Recursos Hídricos do Estado apresentaram balanço do consumo de água em Fortaleza e Região Metropolitana em 2016. Os dados mostram que, de janeiro a novembro deste ano, o consumo de água teve redução de 12,7% comparado com 2014.

O percentual significa um volume de 18 milhões de m³ a menos, o que seria suficiente para abastecer por dois meses a Capital.

A redução tem ligação direta com a implantação da tarifa de contingência, que visa a estabelecer meta de consumo aos cidadãos. Neste ano, cerca de 23,16% das faturas emitidas pela companhia em Fortaleza e RMF tiveram cobrança da tarifa de contingência. Em novembro, 277 mil clientes pagaram a tarifa por não conseguirem consumir dentro da meta estabelecida.

Desde que foi implantada a tarifa, a Cagece arrecadou cerca de R$ 64,5 milhões com o mecanismo. Deduzidos os tributos, o saldo arrecadado acumulado fica na ordem dos R$ 47 milhões. O arrecadado é utilizado na redução de perdas, seguindo determinação das agências reguladoras.


Sobre o abastecimento de água

No processo de abastecimento de água, a “água bruta” (sem tratamento) é captada dos mananciais (açudes, lagos, rios, nascentes e poços) por bombas e adutoras e levada até as chamadas Estações de Tratamento de Água (ETAs).

Nas ETAs, a água passa por um rigoroso processo para remoção de impurezas e tratamento (floculação, decantação e filtração). Quando limpa, a água recebe cloro para desinfecção e é encaminhada para estações de bombeamento, que bombeiam a água para os reservatórios de cada bairro, por meio dos quais chega às casas.

A Cagece trata toda a água distribuída aos cearenses e controla rigorosamente sua qualidade de acordo com as determinações do Ministério da Saúde. Tanto na capital quanto no interior, as análises são feitas a cada duas horas em laboratórios modernos de controle,  localizados em cada uma de suas estações. Hoje, 151 municípios cearenses são atendidos pelos serviços da Cagece e 154 estações de tratamento estão implantadas em mananciais do Estado.

26.12.2016

André Victor
Repórter / Célula de Reportagem

Fotos: José Wagner e Carlos Gibaja / Governo do Ceará

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